terça-feira, 18 de novembro de 2008

Fotografia no início de século XX.

Na entrada do ano de 1900, a fotografia já tinha todos os quesitos necessários para o registro de imagens com altíssima qualidade de exposição e reprodução, tanto que o cinema, cuja base é fotográfica, só seria possível tecnologicamente nestas condições.Mas na fotografia estática, os principalis avanços foram de ordem mecânica; lentes cada vez mais precisas e nítidas, e câmeras portáteis de diversos formatos e tamanhos.
A Eastman lançou, por exemplo, em 1900, a câmera Brownie, que custava apenas 1 dólar, e que trasformou radicalmente a fotografia em uma arte popular, legando a outras empresas a suprema cia por uma qualidade técnica profissional.
Dois fabricantes de lentes se destacaram no mercado pela excelência
da construção óptica, a Carl Zeiss e a Schneider, ambas alemãs, e que contribuíram largamente para o aumento da
capacida de luminosa e qualidade da imagem formada.
Cartaz: Brownie camera, Kodak co, 1900.
Brownie camera original de 1900.

Da mesma forma, foram explorados diversos tipos de formatos, pois os negativos de Eastman eram muito pequenos, propícios apenas a amadores. Fotógrafos profissionais ainda precisavam de chapas de negativo, mas agora confeccionados em material flexível e não mais em vidro. Os formatos em chapa foram explorados sob diversos tamanhos por diversos fabricantes de câmeras, mas havia sempre uma limitação comercial, da qual dependia a sobrevivência do formato. Assim, os fabricantes de câmeras lançavam produtos que exigiam determinados formatos, e sob encomenda deste fabricante, chapas de negativo eram confeccionadas, geralmente pela própria Kodak. O custo disso era relativamente alto, e se a câmera não emplacasse comercialmente, o formato era fadado a morrer, como acontece até hoje em certos formatos de vídeo, como o Betamax (que sucumbiu ao VHS) e o Laser Disc (que morreu com a entrada do DVD). Assim, os grandes formatos, durante todo o período que vai de meados de 1900 até 1930, sofreram constantes modificações, sendo padronizados pela influência comercial em três principais, as chapas de negativo 8x10 polegadas, a 5x7 polegadas e a 4x5 polegadas. Já nos formatos em rolo, que eram destinados principalmente ao usuário amador - e mais tarde ao fotojornalismo - eram mais favoráveis à aceitação comercial, de maneira que até a própria Eastman fabricou um grande número de formatos, identificados por números como 101 (introduzido no mercado em 1901), 116, 117, 120 (introduzido também em 1901), 122 (introduzido em 1906 e descontinuado em 1949), 123 (introduzido em 1904), 127 e mais tarde, 616 e 620 (introduzidos em 1932). A maioria destes formatos não sobreviveu, sendo que alguns deles ainda são possíveis sob encomenda. Mas a partir da década de 20, com a entrada das câmeras de fabricação japonesa, bem mais baratas, alguns destes formatos solidificaram-se junto ao público, razão pela qual subsistem até hoje, como o formato 120, que permitia exposições nas proporções 6x4,5cm, 6x6 cm, 6x9 e até 6x12. O exemplo mais famoso destas câmeras, e que sem dúvida contribuiu para sua continuidade, é a Rolleiflex. Apesar de diferentes tentativas de fomatos menores, a fábrica alemã Leitz lançou em 1913 um protótipo de uma câmera no formato 35mm, antes apenas utilizado em películas cinematográficas. A idéia de usar 35mm era, segundo o aspecto comercial, muito mais favorável uma vez que já eram fabricadas em larga escala em função da indústria cinematográfica. Tanto que, quase simultaneamente, a fábrica Francesa Jules Richard lançou (em 1914) a Homeos, a primeira câmera stereo 35mm lançada comercialmente. Mas o fato desta ser uma câmera stereoscópica, a limitava em termos de trabalho, e paralelamente a fábrica de Leitz continuou a aperfeiçoar um modelo que foi lançado definitivamente em 1924, a lendária Leica. A câmera era extremamente compacta, com velocidade fixa em 1/40 seg. e de mecânica simples e impecável. Mas seu maior trunfo era sua lente: resultado do trabalho de Ernst Leitz como fabricante de microscópios e telescópios antes de criar sua própria firma, e da união deste com Oskar Barnack, que trabalhava também na fabricação de lentes na Zeiss. Dessa sociedade, o resultado foi uma câmera amadora com uma qualidade óptica extraordinária, e que aos poucos foi ganhando mercado, sendo usada largamente no fotojornalismo. Já em 1930, Leica era tão popular que o formato 35mm começou a ser progressivamente preferido para o uso amador, estourando como formato após a Segunda Guerra Mundial.

Cartaz: Leica IIIc, 1947.

Nenhum comentário: